“Desventuras em Série” - Resenha










Divertida e com mistério e aventura na medida certa. “Desventuras em Série” surpreende pelo bom elenco, humor inteligente e trama bem trabalhada, que despertam a vontade do público de continuar assistindo à trama. Se você não conhece a história, vamos recapitular: três irmãos perdem os pais em um incêndio e ficam sob a tutela de um sinistro ator de teatro, Conde Olaf, que tem tanto de esquisito como tem de cruel.

O vilão quer a herança das crianças e vai infernizando a vida dos pequenos, que precisam escapar de suas armadilhas, ao mesmo tempo em que descobrem mais sobre o passado dos pais.

A primeira temporada da série está disponível na Netflix e possui oito episódios. Essa é a segunda adptação da história dos irmãos Baudelaire, pois já foi produzido um filme de mesmo nome, protagonizado inclusive pelo astro Jim Carrey, na pele do vilão, e com participação de feras como Meryl Streep, interpretando tia Josephine. No entanto, o filme não teve tanto êxito como outras obras literáras adaptadas para a telona, como Percy Jackson ou Harry Potter, e não conseguiu que uma continuação fosse realizada.

Mas em 2016, a notícia que a trama viraria série foi muito comentada e até à estreia, em janeiro deste ano, as redes sociais faziam até contagem regressiva para a grande data.

Então, vamos ao que interessa: achei o seriado muito divertido, com recursos interessantes, como o narrador bem presente, Lemony Snicket (pseudônimo do autor da série, Daniel Handler, que faz comentários sobre o futuro e o presente, o que está acontecendo naquele momento na série),  que revela conhecer e muito a vida da família dos órfãos. Adorei a participação do personagem, mas ela poderia ser usada com mais moderação.

Outro aspecto bem bacana é que os figurinos e os cenários interagem com os personagens, são uma extensão deles. Enquanto a casa dos irmãos é acolhedora e engenhosa, a de Olaf parece ter saído de um conto de terror: escura, suja e com aparência decadente, tentando ter um ar de superioridade ao mesmo tempo em que cai aos pedaços, assim como o vilão, que ostenta um título da nobreza, mas é um fracassado.

As três crianças protagonistas que interpretam Violet (Malina WeissMan), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) são talentosas e se viram bem em cena mesmo quando contracenam sozinhos sem outro adulto. O único ponteiro ainda para acertar é que nem sempre é interessante para o público que os personagens digam o que estão fazendo ou que pretendem, pois já estamos vendo na tela, e isso acaba quebrando a dinâmica da cena às vezes.

E a interação deles com Olaf é boa, também porque nessa versão, temos um vilão mais maléfico até que o personagem do filme, que pendia mais para o humor do que vilania – apesar de ele deixar os pequenos em grandes apuros. Neil Patrick Harris, o mulherengo Barney de “How I Met Your Mother”, está divertido no papel.

Apesar da série demorar um pouco para dar início à ação, o desenvolvimento da trama instiga o público a querer saber mais sobre o que causou o incêndio, a ligação de Olaf com os Baudelaire e outras perguntas ainda em aberto.

Dois aspectos positivos chamam a atenção nesta primeira temporada: destaque para os personagens secundários não vistos no filme e a crítica ao sistema. Jacquelyn (Sara Cannin), a secretária do Sr. Poe (K. Todd Freeman), banqueiro materialista e estúpido ao extremo, mostra que sabe mais do que passa na história do que aparenta e é uma das únicas que não é enganada por Olaf e sua trupe. Ela é uma das personagens mais interessantes, mas sai de cena muito abruptamente.

Outro destaque vai para o grupo de capangas do vilão, que estão hilários na série. Com um ar teatral, circense, a gangue arranca risos. A ação dos bandidos só é possível, porém, devido à ignorância dos adultos que deveriam proteger os órfãos. A começar pelo banqueiro, que ignora os alertas das crianças e é enganado todas as vezes pelo malvado conde.

O irônico é que seu sobrenome é o mesmo que o de Edgar Allan Poe, criador de histórias de mistério, investigação e terror, e autor de “O Corvo". Essa e outras referências estão lá e sempre surgem em uma cena e outra.

A juíza Strauss (Joan Cusack) e outros personagens não ficam atrás, e por ingenuidade ou arrogância, não percebem as armações de Olaf e abrem espaço para o vigarista agir. Uma crítica aos braços do poder e da sociedade (justiça, imprensa, família) que, movidos por ganância ou sem preparo, deixam inocentes à própria sorte. Afinal, quem permitiu Olaf de entrar na vida dos pequenos e infernizá-los?

Recomendo! E você, já assistiu a “Desventuras em Série”?



*Texto: Vanessa Irizaga, jornalista formada em Comunicação Social/Jornalismo, estudante de Pedagogia e idealizadora do Mistura Alternativa.
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Sobre Vanessa Irizaga

O autor desta postagem é um dos escritores do site Mistura Alternativa. Gostou? Comente abaixo.