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Antes do primeiro filme do Homem-Aranha estrear no cinema, eu já estava ansiosa para saber mais sobre os atores, a história, porque cresci assistindo aos desenhos e longas de super-heróis na tv e na telona lá nos Anos 90. Apesar de não ter sido uma leitora assídua de quadrinhos, sempre que tinha oportunidade, lia HQs, revistas sobre Cultura Pop e sobre as estreias de cinema no jornal. 

Então "Homem-Aranha" (2002), o filme que dava início à trilogia do diretor Sam Raimi, trouxe Peter Parker (Tobey Maguire), um jovem herói que, apesar de ter poderes muito legais - super força, sentidos aguçados e que andava pelas paredes - tinha que estudar, ajudar os tios e enfrentar os problemas reais de um adolescente comum.

E "Homem-Aranha 2" (2004) traz os acertos do longa anterior e ainda acrescenta mais ação, amplificando os dilemas de Peter e seu desafio de fazer o que é certo e ainda conciliar sua vida dupla. Já "Homem-Aranha 3" (2007), é o mais longo e o mais fraco da trilogia, e acaba de forma melancólica a história do Teioso.

Depois vieram "O Espetacular Homem-Aranha" (2012) e "O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro" (2014), fracos em nos aproximar do herói e também em estabelecer vilões icônicos que realmente representassem um perigo a Peter. Meu outro problema com esses filmes é a caracterização do protagonista: de um nerd desajeitado (Tobey) para um skatista gênio descolado (Andrew Garfield), que não tinha praticamente nenhuma dificuldade social. 

E em "Capitão América: Guerra Civil" (2016), conhecemos uma nova versão de Peter, quando Tony Stark (Robert Downey Jr.) recruta o Cabeça de teia para seu time no confronto com Steve Rogers (Chris Evans) - e também para ajudar/supervisionar as ações do Amigão da Vizinhança.

O Peter de Tom Holland é carismático, engraçado e, apesar disso, não deixa de ser um menino nerd com problemas simples, como conquistar a menina que gosta ou se sair bem nas provas. Assim, "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" (2017) é uma aventura muito prazerosa de se assistir, um filme leve e bem-humorado que nos traz de volta o herói tão querido dos quadrinhos, mas é com "Homem-Aranha: Longe de Casa" (2019) que Holland entrega sua melhor atuação, num filme que tem muito em comum com os longas de Raimi.

Paternidade e Vida Adulta

Se o Homem-Aranha de Tobey tinha o Tio Ben como ideal masculino e bússola moral, o Peter de Holland tem no Homem de Ferro uma figura paterna para se espelhar - apesar do tio também existir nesse universo, embora não tenha aparecido. E assim como a morte de Ben impulsionou Peter (Tobey), o sacrifício de Stark mexeu profundamente com o Teioso. 

E as duas versões do Aranha, em momentos diferentes, buscam formas de se livrar das responsabilidades de ser um herói, sob as justificativas de não serem bons o suficiente ou ainda de que o mundo teria agentes melhores para fazer o serviço - seja a polícia ou mesmo um Vingador.

E se tratando de filmes de heróis, quando algo assim acontece, duas situações podem ocorrer: ou o surgimento de um novo combatente do crime, melhor em vários aspectos do que o personagem principal, ou uma ameaça que obrigue o protagonista a vestir novamente o manto.

Na trilogia de Raimi, sempre quando o Aranha tentava largar a vida de herói, alguém corria perigo. Tem uma cena, em que Peter salva uma pessoa num prédio, como voluntário, como civil, para provar que pode fazer a diferença. O problema é que outra vítima morre, e aí fica a dúvida no jovem Peter: o Homem-Aranha salvaria as duas pessoas se estivesse ali?

Já em "Longe de Casa", Peter vê em Mysterio/Beck (Jake Gyllenhaal) um herói completo e alguém até melhor do que ele. Dessa forma, o Homem-Aranha poderia até se aposentar para que o adolescente pudesse enfim viver sem a preocupação de salvar o mundo a todo o momento.

Só que o problema de Peter é o mesmo que o nosso: achar que são os outros e não nós que temos que resolver as nossas pendências que aparecem por aí. É tão mais confortável pensar que alguém vai nos pegar pela mão e fazer pela gente o que adiamos, nê? E aí que mora a armadilha: a famosa e maldita EXPECTATIVA!

Peter achou que Beck era Tony, ou pelo menos, uma figura paterna em quem poderia confiar. O Peter do Tobey também tinha figuras que, de longe eram fraternas, mas de perto, muito perigosas e tóxicas. Em "Homem-Aranha", Norman Osborn/Duende Verde (Willem Dafoe), por exemplo, admirava Peter por sua inteligência e pela amizade do garoto com o filho, Harry (James Franco). Quando ele descobre que o jovem é o Homem-Aranha, ele se sente traído. 

Algo semelhante ocorre também lá em "Homem-Aranha 2", quando Dr. Octopus (Alfred Molina) enlouquece após a morte da esposa e quer eliminar quem impedi-lo de executar seus planos, mesmo se uma dessas pessoas for seu aluno preferido, Peter. 

Já em "Longe de Casa", Peter projeta em Beck essa figura, sem saber que Mysterio está atrás de um artefato projetado por ele e sua equipe, que não teria recebido os créditos por sua invenção. Dessa forma, vemos que Stark, Octopus, Osborn e Beck têm muito em comum, mas que suas escolhas determinaram o caminho que cada um seguiu.

E na segunda metade do filme, Peter (Holland) aprende a duras penas que, apesar de ter ajuda de Tony (onipresente), Tia May (Marisa Tomei), Happy Hogan (o ótimo Jon Favreau, que é quase uma babá e psicólogo da turma do Aranha) e de tantas outras personas importantes no seu aprendizado, é ele quem precisa acreditar em si próprio e tomar as rédeas de seu destino. 

Se as ilusões de Mysterio fazem com que os medos de Peter se tornem realidade - e que cenas, gente, a melhor sequência do filme se passa na mente do herói! - é a determinação do Teioso e seu sentido Aranha que o guiam em meio à escuridão e de volta para a luz, assim como num filme de Star Wars. 

P.S.: fique para conferir as duas cenas pós-créditos, pois valem muito a pena. Uma diz respeito ao futuro do Homem-Aranha, e a outra, ao Universo da Marvel no cinema.

*Foto: Facebook/HomemAranha.

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