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Recentemente o suspense "A Mulher na Janela" chegou ao catálogo da Netflix, filme dirigido por Joe Wright ("Orgulho e Preconceito", "O Destino de Uma Nação") e baseado no livro de A. J. Finn. A produção possui bons elementos em sua história e até consegue manter o interesse do público. O problema é que, na tentativa de abordar tantos pontos da trama, muitos aspectos importantes são deixados de lado e o resultado é um filme não satisfatório e esquecível.

A trama acompanha Anna (Amy Adams, de "Liga da Justiça - Snyder Cut"), uma psicóloga infantil solitária que sofre de agorafobia, transtorno de ansiedade que não a deixa sair de casa. Inclusive a doença é abordada de modo superficial, o que é uma pena. 

Para tentar superar sua fobia, a moça toma remédios, faz terapia, só que não é totalmente franca com seu psicólogo. Além disso, ela consome a medicação com vinho, uma combinação extremamente perigosa e que a faz perder a noção do tempo e da realidade.

As duas únicas pessoas com quem a protagonista conversa realmente, além do psicólogo, é com seu ex-marido, Ed (Anthony Mackie, da série da Marvel, "Falcão e o Soldado Invernal"), e o inquilino da moça, David (Wyatt Russell, colega de Mackie no mesmo seriado). Com os dois, são trocadas poucas palavras, mesmo sendo próximos a ela.

Com a mudança dos Russell para um apartamento em frente à sua casa, Anna que já tem o costume de observar seus vizinhos, começa a se interessar pelos novos moradores da rua. O primeiro membro daquela família que conhece é o filho, Ethan (Fred Hechinger, "Relatos do Mundo"), um menino visivelmente instável e inquieto, que se torna amigo de Anna.

Com a chegada das festividades do Dia das Bruxas, a moça é confrontada com crianças que atiram ovos na porta do seu prédio e a incomodam. A psicóloga tem um ataque de pânico e sofre um desmaio, sendo socorrida por uma moça (Julianne Moore, "Gloria Bell"). A protagonista fala sobre Ethan e a nova amiga é só elogios ao garoto. Logo, Anna associa que ela é Jane Russell, pois a visitante também faz um desenho assinando com esse nome.

Tempo depois de se despedirem, a protagonista ouve a mulher discutindo com alguém e, na sequência, sofrendo um golpe de faca. Desesperada, Anna liga para a polícia, que chega, mas trata com certo descrédito a denúncia da moça. A postura da policial é bem ríspida, pontuando mais um daqueles clichês de filmes que tratam o protagonista ou como suspeito ou como alguém fora de si. 

Só que Anna é confrontada por Alistair Russell (Gary Oldman, "Mank") que desmente a vizinha, dizendo que sua esposa está viva e que nunca a conheceu. Quando a mulher entra na sala, a personagem sofre outro baque, já que a Jane que se apresenta é outra pessoa - no caso, a atriz Jennifer Jason Leigh, de "Atypical". Nossa protagonista seria vítima de um complô ou ela imaginou tudo?

Essa dúvida paira até quase o final do longa; o clima de tensão que predomina no filme dá lugar a uma perseguição até cômica quando descobrimos de fato o que ou quem está por trás do mistério da história. Além disso, há alguns buracos na trama que requerem a paciência de quem está assistindo: a postura dos policiais! Gente, sério mesmo que a polícia não se interessou em investigar mais a família Russell, ouvir outras pessoas ou, no mínimo, fazer uma rápida pesquisa no Google para descobrir mais a respeito deles - a exemplo do que fez a própria protagonista? 

Se falta qualquer carisma  ou desenvolvimento nos personagens coadjuvantes, sobra exageros na atuação de Oldman, que encarna o estereótipo do "suspeito número 1", o típico marido autoritário e agressivo. Por outro lado, Anna é uma protagonista muito humana e realmente nos preocupamos com ela, não ficando indiferentes aos problemas por quais a moça passa. 

Outra atriz que chama a atenção e entrega bons momentos é Julianne, mesmo com o pouquíssimo tempo de tela que possui. De modo geral, "A Mulher na Janela" não é um filme ruim; a questão é que a história, tão promissora e com um ótimo elenco, não atinge seu potencial, prejudicando a obra e a experiência do espectador. 

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