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Recentemente, Ana Flávia Oliveira Bernardo conquistou um espaço no mercado de trabalho. Por intermédio do Instituto de Educação Especial Diomício Freitas e da Lei de Cotas para pessoas com deficiência, a jovem, de 19 anos, conseguiu há cerca de seis meses seu primeiro emprego em uma farmácia de Criciúma. Hoje está afastada de seu ambiente de trabalho em razão da pandemia, mas não vê a hora de voltar a exercer sua função de repositora. “Gosto muito do meu emprego. Sinto falta de ir todo dia à tarde trabalhar”, contou. Além do emprego, Ana se dedica no período da manhã aos estudos em uma escola da região.
Em 2017, ela ingressou no Instituto Diomício Freitas, entidade de Criciúma que atende jovens e adultos com deficiência intelectual e os qualifica e encaminha para o mercado de trabalho. Na instituição, permaneceu até o fim do ano passado, data em que conseguiu seu primeiro emprego. 

“Nós participamos de todo o processo de inserção do jovem no mercado de trabalho, desde a sua capacitação, a procura por uma vaga de emprego que esteja de acordo com o perfil do usuário/empregado até orientações ao empregador de como melhor proceder para que haja a inclusão de fato. Este acompanhamento segue de forma sistemática nos três primeiros meses, depois passa a ser eventual ou sempre que a empresa ou o usuário solicitar. Nosso vínculo com eles, enquanto instituição, é para sempre”, explicou a psicóloga do Instituto, Andréa Leal Souza. 


Os conhecimentos voltados à área profissional no decorrer destes três anos na instituição foram e são essenciais para o dia a dia de Ana Flávia. “O Diomício foi muito importante para mim. Eu aprendi sobre respeito, educação, higiene e várias outras coisas que uso até hoje no meu trabalho e na minha vida”, avaliou. 


Durante as aulas, também desenvolveu otimismo para lidar com as adversidades. “Ela costumava dizer que apenas o Instituto acreditava no potencial dela. Com o tempo melhorou sua autoestima e responsabilidade com os seus afazeres”, comentou a ex-professora Simone Cristina Bernardo de Souza. 


A família também passou a acreditar nela. “Sentimos muito orgulho dela. Antes nós não achávamos que a Ana conseguiria ter um trabalho, mas ela nos surpreendeu”, revelou a tia Maria Aparecida Silva Bernardo, com quem a jovem vive junto da bisavó.

No Instituto, além do ensino, encontrou uma família 
Ex-aluno do Instituto Juliano da Silva Felipe, de 24 anos, trabalha há um ano como empacotador em um supermercado de Criciúma. Em 2010, ele começou a estudar na instituição. Com o apoio dos profissionais da entidade, conseguiu seu primeiro emprego em um mercado da região, onde atuou por cinco anos. 

“Eu tenho saudade das professoras e dos meus colegas. Eles me ensinaram muitas coisas. Aprendi sobre respeito com o cliente e como tratar as pessoas. Então, hoje no mercado eu empacoto, tento fazer o meu trabalho certo e tratar bem os clientes”, lembrou. 
Além de uma ajuda na área profissional, ganhou, como ele mesmo diz, uma mãe: a auxiliar de direção do Instituto, Valdete Machado. “É uma mãe para mim. Me ajuda em tudo e me dá conselhos bons”, revelou. 


Valdete e Juliano se conheceram na instituição. “Eu me aproximei da família do Juliano, da irmã mais nova e do irmão mais velho. Todos eles eram nossos alunos. O jeito brincalhão dele, sempre rindo, sempre feliz, me cativou. Com o falecimento da mãe deles, a escola passou a ser uma referência para eles”, contou a auxiliar de direção. 
A professora aposentada passou a ajudá-lo na organização das finanças. “Ele não tinha muita noção, acabava gastando muito. Então, eu e uma vizinha dele decidimos dar esse suporte. O pai dele tinha saído saiu de casa, a irmã e o irmão também, e ele ficou sozinho. Alugamos um espaço para ele morar mais perto do trabalho. E quando ele precisa estamos sempre ali. O Juliano se tornou parte da minha família”, afirmou. 

*Com informações de Richard Vieira.
*Fotos: divulgação.

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